A corrida do home office: quando as gigantes se sentiram startups e realizaram mais

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Digibee, 23/06/2020

“Estamos atuando de forma mais ágil e tomando decisões em poucas horas”, diz Paulo Henrique Farroco, CIO do grupo Carrefour

No fim de março, Paulo Henrique Farroco – ou só Farroco, para os conhecidos no mercado – foi confrontado com uma situação extrema. No jargão corporativo, ele teria de “consertar o avião em pleno voo”. Afinal, quando a pandemia do coronavírus impôs o isolamento social, o CIO do Carrefour precisou reagir rapidamente e colocar em prática um tipo de conhecimento que ninguém deseja muito usar: o de gestão de crises. No entanto, nenhum simulado de pane previu uma coisa: “Quando as empresas fazem esses testes, a etapa ‘pandemia’ é a última da escala. Mas, dessa vez, tivemos uma crise dessas sem passar pelas outras etapas. Foi direto”, relembra.

Em questão de dias, a equipe de  TI do Carrefour colocou mil colaboradores para trabalhar de casa. Comprou mais de 1.200 notebooks. Colocou à prova todos os protocolos e recursos de segurança da informação para manter a operação. E correu. “Foi uma aceleração de 0 a 100 km/h em três segundos. As empresas maiores, que têm seus processos mais estabelecidos, tiveram que se transformar em verdadeiras startups”, conta Farroco.

Agora, a pouco menos de um mês do início do isolamento, o CIO ainda lida com um cenário incerto, embora a situação esteja um pouco mais assentada. E se de um lado houve pressão, do outro houve a feliz surpresa com a capacidade de superação das equipes. Como diz Farroco, “viabilizamos, em dias e até mesmo horas, coisas que demorariam meses para acontecer”. Com que motivação? Talvez, o senso de coletividade. Talvez, o puro senso de sobrevivência. Ou, até mesmo, o susto. O fato é que, na percepção do executivo, os funcionários se tornaram até mais produtivos no trabalho em home office.

Mais produtividade, menos burocracia

Nas startups, a transição para o trabalho remoto também não foi um voo suave, em céu azul sem turbulências, como conta Vitor Sousa, co-fundador e COO da Digibee. “Nosso escritório no Cubo simplesmente fechou de um dia para o outro, ainda antes de o governo de São Paulo decretar a quarentena.”

Apesar de todas as diferenças de perfil entre um gigante do varejo, como o  Carrefour, e uma empresa que já nasceu totalmente digital, como a Digibee, Vitor percebeu a mesma disposição e mobilização da equipe, como Farroco contou. “Passados os primeiros solavancos desse movimento de todo o mundo ir para casa, criamos métodos de produtividade para o home office e eles funcionaram”, conta.

A urgência levou líderes e colaboradores a agirem de forma tática e estratégica. A pergunta a ser respondida era: “o que eu preciso fazer aqui, agora?”. O foco no presente levou o time a se concentrar mais e a priorizar ações, atividades e projetos. E após o caos dos primeiros dias, a objetividade prevaleceu, como lembra o CIO. “As pessoas olharam o que tinha que ser feito naquele momento e o que poderia ser postergado para o segundo semestre. Quando você foca no que é essencial e a distância de uma reunião para outra está a um clique, todos acabam sendo mais produtivos, porque são estimulados a isso”.

O gigante do varejo virou uma startup do dia para a noite, atuando de forma ágil e com processos de decisão mais objetivos, o que envolveu o lançamento de produtos e a melhoria de sistemas, sempre com foco nas necessidades humanas – dos colaboradores e dos clientes. “Algumas coisas mudaram e acho que isso é irreversível. Quantos executivos não viajaram para outros países para fazer uma reunião de uma, duas horas? Será que isso vai voltar a acontecer?” Farroco supõe que não – a dinâmica online tem funcionado e deve se estabelecer como uma opção muito mais regular.

Com a experiência de ter passado por outras grandes empresas antes de fazer a transição para o mundo das startups, Vitor, da Digibee, diz que é nesses momentos que aparecem colaboradores mais arrojados, que pensam de forma inovadora. “Essa crise mostra que é possível ter agilidade de startup, desde que todos assumam mais riscos e admitam que os processos, muitas vezes, são burocráticos demais. É possível ter qualidade, segurança e governança, sem deixar de ser rápido e resolvendo os problemas de forma mais direta. Esses dois mundos podem conviver, e esse golpe de agora serve para tirarmos essa lição”, resume o COO.

Como levantar o moral da equipe?

Mas não se pode ignorar o contexto de que as pessoas continuam trabalhando de casa e que a duração do isolamento social ainda é incerto. Há um nível de estresse dos colaboradores em home office que precisa ser considerado pelos gestores.

Para o CIO do Carrefour, a maior preocupação durante todo esse tempo foi saber como os colaboradores da sua equipe estavam se sentindo. “Somos bombardeados por notícias que não são boas e focadas demais no problema do coronavírus. Então, sempre levo todos para focarem na solução e fazer com que eles estejam mais confortáveis, na medida do possível, nesse novo contexto.”

Além disso, Carrefour e Digibee, entre tantas outras empresas, também adotaram práticas remotas de interação, como os happy hour virtuais e os parabéns virtuais, que servem como um trabalho geral de motivação. “É uma forma de nos mantermos em conexão. As pessoas estão sentindo falta do contato com os outros, mas isso tem ajudado muito, tem sido importante para o dia a dia. Temos visto as pessoas motivadas e querendo entregar”, diz Vitor.

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