À distância, líderes repensam a gestão das equipes e se preparam para ‘reinvenção’ do negócio

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Digibee, 10/06/2020

Em um dos setores mais afetados pela pandemia, o CIO do Assaí afirma: “muitas pessoas passaram a comprar online, e esse hábito de consumo permanecerá”

Há mais de um mês com a equipe trabalhando em home office, André Campos percebe que seu trabalho na mudança do físico para o remoto mudou muito pouco. O CIO do Assaí Atacadista, braço do Grupo Pão de Açúcar no segmento de atacado de autosserviço, continua se observando como um facilitador da atuação de sua equipe. “Eu sou responsável por várias pessoas, e minha função de direcionar e criar o melhor ambiente para que elas possam fazer o trabalho continua normalmente”, diz, trazendo um pouco de lógica para um momento de tantas incertezas.

André considera essencial a proximidade dos colegas, independentemente do nível hierárquico, e manteve aberta a porta para o diálogo, sem filtros, mesmo que agora ele esteja enquadrado em uma tela distante de computador. Reuniões diárias, calls individuais – uma vez por semana – com seus subordinados diretos e happy hour virtuais viraram rotina. “Às vezes, as pessoas só querem bater um papo”, conta.

Mas nem todo o mundo se encaixa nessa nova realidade com a naturalidade do CIO do Assaí. As interações frequentes dos líderes com seus colaboradores em home office pode significar e demonstrar também outra coisa: insegurança.

Será que as pessoas, em casa, estão trabalhando mesmo? Será que elas estão cumprindo a jornada de oito horas? Perguntas como essas podem surgir quando a cultura do trabalho remoto na empresa ainda não foi assimilada, criando uma certa “vigilância” sobre as pessoas. E se essa discussão já ocorria antes da mudança forçada de modelo de trabalho, agora, com a nova realidade de isolamento em massa, a dificuldade de comandar equipes à distância ficou mais evidente.

André percebe essa preocupação na conversa com colegas que ocupam cargos de gestão: “Tem muita gente que ainda tem a percepção de que as pessoas vão tirar ‘vantagem’ do home office, trabalhando pouco”, diz. A necessidade tende, porém, a vencer a antiga mentalidade. Segundo uma pesquisa do Gartner com 229 líderes de RH, publicada em abril deste ano, 41% dos funcionários deverão trabalhar remotamente, ao menos em parte do tempo, depois da pandemia – até o início do ano, esse índice era de 30%.

Outra pesquisa da consultoria, divulgada no mesmo período e que ouviu mais de 250 CFOs, mostrou que 74% deles pretendem colocar ao menos 5% de seus funcionários em trabalho remoto, de forma permanente, quando a crise da pandemia acabar.

Priorizar a capacidade e qualidade da entrega, em vez de controlar os processos dos colaboradores, é uma lição que os gestores terão de aprender de uma vez por todas, na visão de Vitor Sousa, cofundador e COO da Digibee. “Alguns líderes ainda ficam observando se o colaborador está na mesa dele, ou se está navegando na internet, quando tudo o que precisam fazer é gerenciar o ‘entregável’ e dar condições para que as pessoas possam se desenvolver. Esse modelo de trabalho já é muito aplicado nos squads e representa uma diferença crucial no modus operandi”, diz o COO. Como brinca Vitor, até Peter Parker, no filme “Homem-Aranha” (2002), assimilou o aprendizado: “Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”.

Ao contrário do que líderes mais céticos poderiam prever, André e Vitor notaram um aumento de produtividade, e também de comprometimento, no período do isolamento. Foi o que o CIO do Assaí percebeu durante o momento-chave de março de 2020, com as migrações em massa (1.200 pessoas, de setores como administrativo e marketing) para o home office. Com as demandas de estrutura resolvidas “in real time”, André constatou, primeiro, que a tecnologia disponível suportou a mudança. Depois, que a equipe de TI deu conta do recado.

“Continuar próximo da equipe tem sido a grande mágica para que isso [a produtividade] aconteça. E o que eu fiz, também, foi não mudar absolutamente nada: não tirei prioridades, não reduzi carga de trabalho e mantive os prazos. Deu super certo, e as entregas foram feitas rapidamente, com a mesma qualidade”, diz.

A reinvenção pós-pandemia

A unidade da equipe e a proximidade são ainda mais relevantes no momento porque, nas palavras do CIO do Assaí, o negócio será outro depois do isolamento. “Para começo de conversa, muitas pessoas passaram a comprar online, e esse hábito de consumo permanecerá. Todos vão ter que aprender a vender por outros canais não-físicos e se reinventar. Isso inclui a gente”, afirma André.

Com essa explosão potencial do e-commerce, as empresas estão buscando as melhores estratégias para firmar suas operações online. No caso do atacado de serviço, essa migração envolve obstáculos maiores, pois os clientes têm perfis totalmente diferentes – de empresários e revendedores até o consumidor comum do varejo. Todos buscam o atacado em busca de um preço mais baixo. 

“No nosso atacado, temos gente fazendo compra do mês, outro fazendo reposição de loja e outro que vai lá comprar dois paletes de cerveja. E temos alguns serviços de aplicativo de opção, que cobram preço fixo de frete. Mas algumas coisas você leva no baú da moto, outras em um caminhão. Ou seja, equilibrar a logística é a maior dificuldade nessa mudança para o e-commerce. O custo agregado é muito grande”, conta André.

Outras barreiras entram na questão: o fato, por exemplo, de grande quantidade de pessoas acessando a loja simultaneamente – incluindo os shoppers de aplicativo, que muitas vezes demoram para encontrar o item pedido pelo cliente. Tudo isso pode gerar problemas de atendimento e longas filas no caixa. Diferentemente dos mercados comuns, o serviço de atacado não foi planejado para esse fim.

Vitor, da Digibee, concorda com a dificuldade do varejo em ir para o e-commerce, citando a disponibilidade do estoque no serviço eletrônico como ponto complicado. Ele menciona alternativas que podem abranger, por exemplo, uma solução tecnológica que associe o estoque da loja à disponibilidade de produtos informada no e-commerce, a fim de evitar estornos e problemas na hora da compra. Nesse caso, a negociação só se conclui quando o item é efetivamente separado para o cliente.

“O grande problema do varejo é estoque e operação. Há dificuldades com a operação digital, e esse é o ponto. Quando a tecnologia sustenta uma operação viável, em que a loja é o ponto central, aí começamos a criar um bom caminho para as empresas do varejo”, aponta o COO.

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