A prova de fogo: Leandro Adinolfi e o primeiro grande projeto da história da Digibee
14 de dezembro de 2020
Migração de PDVs de rede atacadista foi a oportunidade ideal para a Digibee apresentar todo o potencial da plataforma hibrida de integração.
Testávamos a capacidade de carga e protegíamos a Digibee HIP de qualquer problema caso a capacidade atingisse o limiar.

Uma rede atacadista estava migrando seus sistemas PDVs e precisava desenvolver as integrações com seu ERP em questão de três meses. Foi o momento em que Adinolfi e a Digibee colocaram em ação toda a capacidade prevista da Digibee HIP e do seu modelo de integração. 

Leandro Adinolfi*

A história do projeto que eu vou contar se confunde com a própria história da Digibee. Estava diante de uma oportunidade inestimável: seria o nosso primeiro grande desafio. Mas quando digo grande, era grande, mesmo: ajudar uma atacadista que estava migrando os sistemas de PDV dos postos de gasolina da rede e, em seguida, os sistemas PDVs das lojas, para o seu ERP. Seria preciso integrar variados sistemas, entremeados em uma complexa rede em apenas três meses.

O cliente imaginava que teria melhor desempenho se a integração fosse feita internamente. Quando disse que faríamos o trabalho 10 vezes mais rápido, em uma plataforma em nuvem que continha gestão, governança e monitoramento, ouvi uma resposta sem muito entusiasmo: “é possível?”.

Não parecia que eles sequer consideravam nossa meta como minimamente realista. Mas estava lá, exatamente, com o papel de mostrar que com a Digibee HIP isso não era promessa. Era verdade.

Nessa época, eu basicamente trabalhava na Digibee com desenvolvimento, arquitetura, delivery e pré-vendas – aquela fase de startup onde todo mundo faz de tudo um pouco (ou faz muito de tudo, melhor dizendo).

Tinha 40 minutos para construir o cenário que eles queriam. Foram 30 segundos para transformar e levar 10 mil registros de um banco de dados de um para outro. Depois, ativei uma capacidade adicional, onde é possível processar dados em paralelo, e esse tempo caiu para 13 segundos – um terço do que eles haviam conseguido fazer internamente.

Em resumo, concluímos esse cenário três vezes mais rápido, mesmo levando o dado para nuvem no meio do caminho.  A cada vez que aumentávamos o volume das movimentações, o tempo por registro diminuía. E a cada diminuição do tempo por registro, maior era a confiança do cliente na gente.

A meta era realista. E sim, era possível.

 

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Desvendando os limites

Esse contrato foi assinado em 2018. Eu já estava na Digibee havia um tempo. Na verdade, cheguei pouco depois da fundação da empresa – e eu brinco que foi meio “às cegas”.

Eu já havia trabalhado com o Rodrigo Bernardinelli, o Peter Kreslins e o Vitor Sousa em locais diferentes e tinha muita admiração pelos três. Quando eles me disseram que criariam uma startup, nem titubeei: “nem sei o que vocês querem fazer, mas se envolver tecnologia, estou dentro. Não precisam nem me contar o que é!”. Em um mês, estava contratado. Vim fazer par com o Peter na construção da arquitetura da Digibee HIP.

No projeto de concepção, nós experimentamos várias tecnologias até o limite. Assim, testávamos a capacidade de carga e protegíamos a Digibee HIP de qualquer problema caso a capacidade atingisse o limiar. Montamos uma equipe especializada e muito competente para essa missão e desenvolvemos, em alguns meses, toda a plataforma – sempre com a tarefa de deixá-la com a melhor user experience possível e uma aparência moderna. Atingimos esse objetivo e estabelecemos quais seriam os próximos saltos para a plataforma ganhar mercado.

Problema é com a gente

Nesse projeto para a rede atacadista, utilizaríamos a terceira versão do produto. A Digibee HIP já havia sido bem lapidada, segura e testada em pequenos clientes. Na verdade, havíamos construído mais de 100 integrações, que rodavam perfeitamente.

Mostramos a esse grande atacadista toda a potência da Digibee HIP: ela traduzia o que estava nos novos sistemas PDVs para o ERP interno. Isso acelerou demais o projeto de integração: coisas que eles previam fazer em 15 dias, entregávamos em um dia, ou até mesmo em duas horas.

Várias mudanças surgiram na fase de homologação. Uma delas estava relacionada ao controle de execuções; ele ficaria a cargo da equipe interna, que ainda não tinha essa capacidade. Como solução, implementamos um controle de execuções que virou referência inclusive em outros projetos.

Toda adaptação, melhoria ou ajuste necessários também eram realizados de maneira acelerada. No fim, o gerente do projeto do cliente começou a praticar a seguinte filosofia: “se tiver problemas, vamos falar com a Digibee”.

Desenvolvemos mais um projeto para eles e também treinamos a equipe interna para que ela pudesse construir integrações e fosse capaz de aplicar melhorias e fazer a manutenção do seu próprio ambiente. Ainda hoje, esse cliente continua nos encaixando em vários projetos; nós fazemos as integrações e a equipe interna também tem total domínio sobre o produto.

O que é estar próximo do cliente?

Apesar de ter sido a primeira grande entrega da Digibee – e de isso gerar alguma ansiedade na época –, nós tínhamos muita certeza de que daria certo. Tínhamos total confiança na arquitetura.

O maior desafio não era de tecnologia: mas conduzir o primeiro projeto em um cliente com múltiplas equipes internas, que tomavam decisões importantes lá dentro enquanto nós trabalhávamos de forma remota, pensando em estratégias de integração.

Foi aí que comprovamos que não precisaríamos estar in loco para sermos resolutivos. Mas essa abordagem ainda era um pouco estranha para as empresas. Tínhamos que convencer que nosso modelo de integração era on demand – se precisar de uma integração nova, me passa essa informação que eu já te devolvo. Não precisamos ficar horas sentados olhando uma tela esperando acontecer; só entraremos em cena quando for preciso.

Além disso, toda essa experiência nos ensinou a importância de ouvir e estar próximo do cliente para entender os problemas reais do seu dia a dia. Não adianta apenas criar uma ótima plataforma de tecnologia. Ela é construída com uma única missão: resolver um problema real do mercado. E quanto mais “dominarmos” os problemas dos clientes, melhor será o nosso produto, nossa oferta, e maior será a confiança dos parceiros em relação ao trabalho que estamos propondo.

Sobre esse cliente específico, posso dizer que foi gratificante quando começamos a ver as integrações rodando perfeitamente, transmitindo quase 6 milhões de dados num único dia. Lembro até hoje que eu abastecia meu carro num posto de gasolina dessa rede atacadista e pensava: “essa nota fiscal vai passar pela Digibee!”. Era a prova material de que tínhamos feito um grande trabalho e estávamos prontos para voos mais altos.

*Leandro Adinolfi é head de Engenharia da Digibee

** Este conteúdo faz parte da série Bastidores da Integração de Sistemas. Acompanhe os próximos!

 

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