Atender às expectativas sem deixar de inovar: o desafio de Eduardo Prota na chegada do N26 ao Brasil
15 de abril de 2021
Executivo comanda a entrada de uma nova fintech em um mercado impactado pela pandemia e "chacoalhado” por novidades como o PIX e o open banking: “Sabemos que a barra é alta”

Executivo comanda a entrada de uma nova fintech em um mercado impactado pela pandemia e “chacoalhado” por novidades como o PIX e o open banking: “Sabemos que a barra é alta” 

Digibee

 

No último dia 2 de janeiro, um usuário brasileiro enviou uma mensagem ao perfil global do banco digital alemão N26, pelo Twitter. “@n26, vem pro Brasil logo, não vejo a hora”. A resposta, em inglês, veio diretamente do perfil global: “Olá! Nós já anunciamos o lançamento do nosso produto no Brasil. Assim que estivermos prontos, avisaremos você! Enquanto isso, você pode se inscrever na lista de espera. Obrigado pelo interesse!”

Histórias como essa aumentam a expectativa e a responsabilidade de Eduardo Prota, o executivo que trabalha há dois anos na instalação do N26 no País. 

“É muito legal poder comandar uma marca e ter um feedback desses, com esse nível de empatia”, diz. “Ao mesmo tempo, a gente vê que a barra é alta. As pessoas já estão nos esperando. Eu preciso atender a essa expectativa e, ao mesmo tempo, inovar.”

A pré-operação durante a pandemia

Em fevereiro de 2019, quando assumiu a operação da fintech alemã cujo foco até então se concentrava na Europa e nos Estados Unidos, Prota já trazia no longo currículo a fundação de startups e passagens pelo mercado financeiro. Esse período de pré-operação começou a todo vapor. Foram meses construindo uma estrutura 100% local, adaptadas a particularidades do mercado brasileiro – como pagamentos por boleto, compras parceladas e o PIX – até que a autorização do Banco Central foi emitida, no fim de 2020. 

A chegada não poderia ser menos desafiadora, justamente no período da pandemia do coronavírus, que tumultuou todos os mercados e a rotina da população do mundo inteiro. Ao mesmo tempo, os concorrentes diretos do N26 precisaram se adaptar às pressas ao trabalho remoto.

“Nós não”, ressalta Prota. “Nós já nascemos 100% home office. Inclusive, tenho vários contratados que ainda não conheci pessoalmente”, conta. “Não tivemos que lidar com atendimento, com uma operação de centenas de pessoas, com times que precisam trabalhar juntos para executar os projetos. Nesse ponto, estamos um pouco mais tranquilos que a média do mercado.” 

Enquanto o N26 ainda não precisa lidar com a aceleração que certamente enfrentará após o lançamento, o desafio atual, segundo o executivo, é manter o engajamento da equipe.

“Estamos tentando construir processos, estruturas e criando elementos de gestão para manter a motivação de todos nesse período.”

 

 

Um mercado “chacoalhado”

Por que o N26 resolveu vir para o Brasil, onde o mercado já está cheio de opções de bancos tradicionais, digitais e fintechs? Segundo Eduardo Prota, a característica brasileira que mais atraiu os alemães foi nossa rápida adaptação à tecnologia.

“O nível de adesão que a gente viu em relação ao PIX, em poucos meses, por exemplo, é um negócio muito raro”, diz. “O N26 já havia percebido que o mercado daqui gosta dessas soluções.”

É essa característica do público, segundo Prota, é o que “puxa” o amadurecimento do mercado. E vai continuar puxando, a julgar pelas leis de regulação que mexeram profundamente com o sistema financeiro, como o open banking e a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), além do próprio PIX.

“Essas novidades chacoalham o mercado, e isso é muito bom para quem está entrando”, diz. “Abre diversas oportunidades para novas ideias e maneiras de operar”.

Prota conta também que o N26 já está pronto para atender às regulações e aos requerimentos técnicos que envolvem a LGPD e o open banking.

 

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Contando com ajuda 

Como uma fintech, que carrega a tecnologia em sua própria definição de negócio, o N26 se movimentou desde seus primeiros passos em busca de fornecedores e parceiros que pudessem acelerar o projeto e driblar custos altos e prazos dilatados. “Nós quisemos aproveitar o que o mercado já tem”, explica Prota.

“Fazer isso internamente seria arriscado demais. Há todo o desafio de integração com os parceiros e as chances de nos perdermos na burocracia era grande. Se tivéssemos que montar essa estrutura cinco anos atrás, seria diferente, mas hoje já temos soluções disponíveis.”

Foi nesse ponto que a Digibee e sua Digibee HIP surgiu na história do banco. O conceito de manter uma camada de integração que se torna um ponto único de conexão a vários aplicativos simplificou o processo e viabilizou a estratégia do N26 de “buscar independência”, segundo o executivo.  

“A integração costuma ser o lugar que dá ‘pau’ e é sempre difícil saber exatamente onde isso aconteceu. Com a plataforma da Digibee, nós temos uma ferramenta e pessoas experientes para fazer a integração. Talvez fosse preciso até cinco meses para integrar o PIX, se fizéssemos o processo internamente. A Digibee oferece um trabalho muito mais ágil. Isso é muito importante para o nosso momento aqui no Brasil, onde o time ainda é pequeno.” 

 

Além dos millennials

Com toda estrutura de apoio para promover um lançamento de impacto do N26, Prota faz suspense a respeito dos diferenciais que os produtos e serviços do banco têm em relação aos concorrentes. Mas, de novo, o compromisso de atender às expectativas do público daqui é o norte de todo o trabalho  – especialmente os chamados “millenials”, nascidos entre o final dos anos 1980 e início dos 2000,  que em todo mundo é o foco preferencial das fintechs.

Ajuda muito a recente desburocracia para quem quer trocar de instituição bancária no País – um cenário muito diferente de poucos anos atrás.

“O panorama é muito bom agora, mas tende a ficar mais difícil depois de uns dois anos”, analisa Prota. “De qualquer forma, a possibilidade de entrar e sair de um banco a qualquer momento é ótima. Isso faz com que as instituições se esforcem mais para manter o cliente. A única forma de conquistar a lealdade é conseguir oferecer a melhor experiência. Se ele sair do nosso banco, que leve consigo uma boa experiência e recomende para os outros. O que não quero é que alguém saia por um erro nosso.”

Se sua longa experiência profissional lhe preparou para o desafio do lançamento do N26, nada é comparável à instalação de uma fintech em um país em ebulição como o Brasil, em meio a uma pandemia sem precedentes e com um filho de onze meses querendo atenção do pai em home-office.

“É uma experiência inacreditável”, ele diz. “Quem foi mordido pelo mosquito do empreendedorismo sabe o quanto é legal criar algo do zero, encontrar fornecedores e montar com a sua cara. Muito mais quando estamos sendo apoiados por uma marca forte que abre portas aqui no Brasil e nos ajuda a trazer talentos.”

 

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