Atravessando a Muralha da China: Luiz Emmerich e a integração que ligou dois continentes
25 de fevereiro de 2021
O arquiteto de soluções havia acabado de chegar à Digibee quando recebeu a tarefa de integrar um SAP localizado na China, com todas as barreiras tecnológicas e de comunicação, à operação brasileira de uma empresa global do varejo

Luiz Emmerich*

 

“Essa bucha é sua.”

Eu cheguei à Digibee em abril de 2019 para trabalhar como arquiteto de soluções e, ainda nos meus primeiros dias, ouvi essa frase da  boca do Vitor Sousa, um dos fundadores da empresa . Não era exagero. O desafio seria integrar a operação brasileira de uma varejista ao SAP corporativo global da empresa, que fica na China.

O projeto já estava rolando havia algum tempo. Esse cliente resolveu utilizar o SAP global porque não teve uma boa experiência com um ERP aqui no Brasil no momento de adequá-lo às leis e regras fiscais do País. Mas fazer isso no SAP global seria um desafio ainda maior, porque eles teriam que entender todas as regras daqui e integrá-las a esse sistema sediado na China. 

Esse mapeamento inicial consumiu tanto tempo deles que, quando chegou a hora da integração – a nossa hora –, nem se falava mais em prazos. A data da entrega era “o quanto antes”. O  projeto já estava atrasado.

Para mim, seria um teste interessante. Cheguei à Digibee com bastante experiência em integração, desenvolvendo muito código “na unha”, e estava muito confiante para trabalhar nesse projeto. Mas preciso confessar que, por causa dessa minha experiência, eu também tinha meus preconceitos com plataformas de integração. Elas pareciam simples demais para quem estava acostumado a trabalhar com o desenvolvimento manual.

Não demorou muito para que essa sensação ficasse no passado.

 

Falando chinês

Quando ouvi falar sobre o Great Firewall of China, achei que era apenas um ótimo trocadilho com a Grande Muralha chinesa. Mas quando começamos a planejar a VPN para se conectar à sede, eu entendi que o controle feito pelo governo de todas as comunicações tecnológicas que ingressam no país exige adaptações que vão além do nosso cotidiano. No fim, o time de produto incrementou a plataforma com as adequações técnicas necessárias.

Esse foi um dos sustos que tivemos nesses primeiros momentos do projeto. O outro foi relacionado a comunicação – tanto em termos de tecnologia quanto de idioma, mesmo. A primeira reunião, por exemplo, teve duas horas do pessoal da empresa falando apenas em chinês, e a gente acompanhando a tradução para o inglês. 

O momento de determinar o desenho da arquitetura e estabelecer alguns padrões foi bem desafiador. Lembro de um dia em que precisávamos definir se um processo seria síncrono ou assíncrono. Para chegar a um acordo sobre o que era isso, tivemos que recorrer à mímica, desenhos na lousa e palavras em inglês, chinês, português e espanhol até perceber que estávamos falando da mesma coisa. 

Vale lembrar que eles não conheciam direito o funcionamento da nossa plataforma e não sabiam até onde ia a nossa atuação. Ainda havia algum pé atrás com relação à nossa capacidade de cumprir todo o cronograma.

Passada essa primeira fase, a coisa começou a fluir. Tínhamos 20 integrações para fazer e separamos as entregas em etapas, completando cerca de cinco pipelines por semana. Depois das duas primeiras semanas, entramos em outra fase: ao mesmo tempo em que precisávamos construir a segunda parte das integrações, tivemos que fazer alguns ajustes na primeira metade – alguma regra que mudou, algum campo que faltou. Houve um acúmulo de tarefas, mas, graças à flexibilidade da plataforma, completamos os pipelines e tiramos todo o atraso do projeto.

Aquela pequena desconfiança em relação às nossas metas agressivas de entrega começou a mudar quando o cliente percebeu que o projeto estava funcionando sem percalços. Na verdade, a equipe que acompanhou nosso trabalho ficou surpresa com o andamento do processo e também com a disponibilidade para ajudar e responder a qualquer dúvida. 

A Digibee já fazia parte do dia a dia deles, e isso acelerou bastante o projeto. 

 

Acendendo a luz do negócio

Integração é um negócio engraçado. Todos querem ver a luz acesa, mas você precisa do interruptor para acioná-la. E o que conecta o interruptor à lâmpada é a fiação – que é um negócio que nem todo mundo quer olhar e resolver direito, sem gambiarras. 

Bom, a integração é a fiação que precisa ser passada para a gente poder acender a luz. Só que como ela é complexa e exige muita atenção, às vezes fica em segundo plano – até o momento que ela se torna crucial para o andamento de um processo.

Quando o  cliente precisou acelerar a integração para tirar o atraso, nós conseguimos entregar isso para ele. A agilidade da Digibee HIP salvou o projeto.

Tirei algumas lições importantes. A primeira delas é que é fundamental gastar todo o tempo necessário definindo arquitetura e padrões para a integração, mesmo se o cronograma estiver apertado. Todos os lados precisam saber o que estão fazendo para conseguir executar de maneira assertiva. 

O segundo ponto é garantir um relacionamento de parceria com o cliente. Não adianta nada contar com várias equipes se elas estiverem apontando os dedos umas para as outras, sem efetivamente trabalharem juntas. 

O feedback foi tão bom que eles logo nos contrataram para fazer mais integrações, já na época da pandemia, para integrar o e-commerce deles às plataformas de venda online. Esse segundo projeto foi ainda mais rápido – eles já sabiam como nós trabalhávamos, então o próprio pedido já veio mais redondo para a gente.

Para mim, ficou o alívio de entregar o projeto com sucesso e também o prazer por impactar a cadeia de processos da empresa. Você sabe que, quando ela está efetuando uma venda de produto, houve uma participação sua naquilo. A integração pode não ser considerada o core do negócio, mas, sem ela, os processos simplesmente não funcionam.

Lembra que eu falei do preconceito com as plataformas e o orgulho em fazer as integrações “na unha”? Bom, isso passou rápido. Nada como começar a utilizar a Digibee HIP, com a pouquíssima experiência que eu tinha com ela na época, e já começar a bater as integrações.

Se a integração fosse “na unha”, esse projeto que eu contei simplesmente não seria entregue no tempo necessário, porque teríamos que partir meio que do “zero”. Com a plataforma, a gente padroniza todos os tipos de desenvolvimento e domina rapidamente o uso das tecnologias que serão integradas. 

Na verdade, o que eu gostaria mesmo era voltar no tempo e usar a Digibee HIP para refazer alguns projetos do passado. Teria sido mais rápido – e eu teria dormido mais!

 

*Luiz Emmerich é arquiteto de soluções da Digibee

** Este conteúdo faz parte da série Bastidores da Integração de Sistemas. Acompanhe os próximos!

 

Leia também

A prova de fogo: Leandro Adinolfi e o primeiro grande projeto da história da Digibee

RNDS: Vinícius Christ e a integração que ajudou o Brasil a combater o coronavírus

Rumo ao S/4HANA: Leandro Oliveira e o desafio da migração entre grandes ERPs

Share This