Crônicas da Integração: o (real) preço da gasolina – ou a “contracultura” da integração moderna
22 de junho de 2021
Todo mundo quer inovar, mas só até a página dois. Para quebrar as resistências, é preciso fomentar estratégias para ganhar a confiança de quem ainda está com os dois pés atrás

Todo mundo quer inovar, mas só até a página dois. Para quebrar as resistências, é preciso fomentar estratégias para ganhar a confiança de quem ainda está com os dois pés atrás

 por um digibee não-identificado*

 

Antes de começar a te contar uma história, permita-me não me apresentar. Isso mesmo. Não vou me apresentar. 

Quem trabalha com tecnologia e constrói projetos em clientes sabe que há todo um universo entre o que acontece no dia a dia e o que ganha status de “caso de sucesso”, para na sequência ser publicado em veículos de imprensa ou nos blogs de empresas – como este daqui.  Mas como o próprio nome diz, o caso é de sucesso, então reservamos as linhas para descrever as glórias e triunfos daquela entrega. 

Então, considere que sou um profissional de TI, que poderia ser você ou alguém que você conhece, e estou sentado casualmente em uma mesa de bar, te contando os causos e percalços não tão bem-sucedidos do meu dia de trabalho, preservando, claro, a identidade dos envolvidos de ambos os lados. Apesar de não me apresentar propriamente dito, apresento a você, agora, o Crônicas da Integração, nova série de conteúdos da Digibee. 

Combinado? Então vamos ao primeiro causo. 

O (real) preço da gasolina

Quantas vezes a gente não ouviu que “o dado é o novo petróleo”? Com ela, sempre vem o inevitável complemento: “mas é preciso transformar o petróleo em gasolina!” 

Em português mais claro, estamos falando de aproveitar a quantidade infindável de dados que as empresas acumulam em seus sistemas. Mas o buraco é um pouco mais embaixo, porque o caminho para utilizar os dados de forma estratégica envolve, na maior parte das vezes, uma transformação mais cultural que tecnológica – apesar de esta última parte ser crucial. 

A cultura da integração moderna, ou de uma arquitetura moderna, sofre tanta resistência de um jeito antigo de pensar a TI que quase se cria um movimento de “contracultura” nas empresas que estão prestes a transformar seus ambientes. É fácil fazer da integração a vilã de qualquer falha nos sistemas. Tem um problema acontecendo? “Ah, foi lá na integração!” 

Até você mostrar que não foi, vai tempo. 

Muita calma nessa hora

Ok, vamos dar um tempo no discurso revolucionário. Afinal, não estamos aqui para derrubar nenhum sistema. A intenção é justamente modernizar o sistema e deixá-lo pronto para as tecnologias do “futuro” – que estão mais presentes do que nunca. 

Chegamos a um grande cliente com a intenção de acelerar seu processo de integração e contribuir para que ele aproveitasse os seus dados de forma mais estratégica – aquele lance da gasolina, lá. Na reunião, dava quase para ler os pensamentos da equipe do cliente: “o que é essa empresa? Quem são esses caras? Minhas integrações vão passar por eles? Como assim?” 

Além dessa barreira inicial de convencer a equipe técnica – justiça seja feita, eu também, à primeira vista, acharia que uma plataforma que promete integração 10x mais rápida seria fake news das brabas – havia algo mais. Era aquela história do ego corporativo, sabe? Quando algum departamento começa a se destacar em relação aos outros e isso gera ciumeira? Não ensinam a gente a lidar com isso em nenhuma formação ou certificação de TI, meu caro e minha cara. 

Acima de tudo, uma solução que resolve

Como trazer todo mundo para o seu lado, principalmente quando você chega na empresa como um “forasteiro”?

Nada será mais importante do que a sua solução se provando eficaz. Quando a equipe percebe que a nova ferramenta realmente acelera o trabalho de todos, a adesão generalizada é uma questão de tempo. Obviamente, esse tempo pode ser antecipado se utilizarmos estratégias que impulsionem a confiança do time. 

Nesse caso, nós começamos de maneira gradual, atuando em processos não core da empresa e mostrando que a Digibee HIP agilizava as integrações. Aos poucos, com o ganho de confiança, começamos a expandir para processos mais críticos, nos quais o medo costuma ser maior.  Ora, é natural que haja mais resistência na hora de introduzir novidades nos sistemas core da empresa. Afinal, eles precisam estar sempre funcionando. E, mudar para quê, se estão funcionando?

Porque mesmo que a antiga arquitetura atenda ao que o hoje pede, essa estabilidade certamente não durará para sempre. E o “pagar para ver” pode ficar bem caro.

Transformando detrator em promotor

Esse é o momento em que precisamos realmente nos colocar como consultores e promotores da inovação. Temos que cumprir a nossa parte para que a empresa entenda exatamente os benefícios que a eventual transformação cultural irá trazer para dentro de casa e para o próprio desenvolvimento do time de TI.

Foi exatamente esse o caso deste causo que estou te contando. Dentro do projeto, tínhamos um contato que era do perfil detrator – basicamente, do time adversário. Era um desenvolvedor que nos questionou muito sobre nossa proposta e dizia que aquele processo simplificado em relação às integrações tradicionais não o ajudaria a aprender nada de novo. 

A resistência partia de um lugar: medo de mudança. Normal, não acha? Eu também tenho. 

Tivemos uma ideia para nos aproximarmos. Em um período pré-pandemia, agendamos para que ele fosse na Digibee conversar com nosso time de produto e entender com detalhes como a Digibee HIP havia sido desenhada. 

Ele passou um dia com a gente, tomou “um banho de loja”. Ele amava escrever códigos – então uma plataforma de integração não seria lá sua amiga. Mas esse desenvolvedor era, também, apaixonado por tecnologia. E paixão é uma língua universal. Por isso não teve como ele não transferir essa paixão  pela nossa Digibee HIP, criada por caras tão apaixonados por códigos quanto ele. Nesse dia, entrou em nosso escritório um detrator e saiu um promotor da nossa marca. E mesmo depois que ele saiu da empresa na qual nos conhecemos, continuou nos indicando para o mercado, explicando o quanto a Digibee HIP era resiliente e flexível ao mesmo tempo.

Integração não é um processo de tecnologia. É um processo social, que envolve pessoas. No fundo, a gente quer estar do lado da pessoa e mostrar que estamos ali para ajudar. A revolução é essa. O resto é perda de tempo.

 

*Digibee Não-Identificado é atualmente parte da equipe da Digibee. Ele também já foi resistente a mudanças – mas parece que está mudando de ideia 

** Este conteúdo faz parte da série Crônicas da Integração. Acompanhe os próximos!


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