Em quem se pode confiar?
8 de junho de 2020
A Digibee entende que transparência, inclusive nos números e no financeiro, facilita uma relação de confiança com investidores e clientes.
O primeiro passo para isso é ser transparente. Logo quando fundamos a Digibee, essa foi uma premissa.

Na relação com investidores e clientes, a empresa precisa ser transparente desde o início e compreender exatamente sua capacidade de entrega.

Rodrigo Bernardinelli

A confiança é a base das relações pessoais. É o que fortalece nosso vínculo nas amizades, nos relacionamentos afetivos e, claro, no mundo dos negócios. Seja para formar uma sociedade, fechar uma parceria, motivar a equipe ou conquistar o cliente, é preciso acreditar em quem está ao nosso lado – basicamente, em sua capacidade de ouvir, prometer e cumprir. Em outras palavras, significa viver o que se diz, com coerência entre palavras e ação. Só assim podemos ser e nos sentir merecedores dessa confiança.

O primeiro passo para isso é ser transparente. Logo quando fundamos a Digibee, essa foi uma premissa. Abrimos nossos números financeiros e contábeis para os investidores e sempre discutimos nosso status de maneira aberta e franca. Ainda assim, eram relações novas. E nosso grande ponto de virada foi provar que, além da transparência, nós também éramos capazes de planejar e executar. O plano que apresentamos sustentou o investimento e, no fim das contas, cumprimos as metas antes do prazo.

O segundo ponto é conhecer nossas limitações. Quando fazemos isso, o resultado é positivo, porque abrimos espaço para aprender e ganhamos mais consciência sobre o que podemos ou não entregar. E isso é fundamental para planejar. Conta aqui a admiração pelos melhores, pois eles têm lições práticas para nos ensinar. Essa filosofia resume nossa história com quem investiu na Digibee desde o início, como o fundo GAA Investments e o Paulo Veras, fundador da 99, o primeiro unicórnio brasileiro.

Mais do que aporte financeiro, eles compartilharam conhecimento. Deram sugestões e orientações que, muitas vezes, foram aplicadas no dia a dia da Digibee, o que nos ajudou a melhorar nossa operação. Lembro-me do Paulo Veras, logo no primeiro almoço que tivemos. Ele ainda nem era nosso investidor, mas ajudou a colocar a empresa nos trilhos desde aquele momento, mostrando ações que não estavam funcionando. Disse para ficarmos atentos ao caixa e ao unit economics (receitas e custos diretos associados com o modelo de negócios, expressos por unidade). Reconheceu que o produto era muito bom, mas que precisaríamos chegar com mais força ao mercado. “Vocês precisam de clientes para provar que a solução resolve os problemas”, alertou.

Nessa relação, aprendemos juntos – investidores e investidos. Demonstramos que nosso modelo funcionava, era resiliente e tinha mercado. Eles, por sua vez, passaram a ter uma visão mais ampla do dia a dia de uma empresa de alta tecnologia. E, na hora de alçar novos voos, como acontece agora, nossos investidores multiplicam a aposta em nossa empresa – são mais 5 milhões de dólares aportados, nesta nova rodada, para fazer a Digibee se internacionalizar e crescer ainda mais.

 

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Facilitando o diálogo

Os investimentos do GAA, do Paulo Veras e, agora, do Laércio Albuquerque mostram o quanto essa relação de confiança está madura. Mas outro ponto fundamental, principalmente para conquistar o cliente, é a construção da narrativa para vender a solução. Esse diálogo nasce do entendimento da dor do cliente e, mais do que isso, do desenho de uma solução que, de fato, resolva o problema.

Integração de sistemas não é exatamente um assunto pop – não tem o mesmo apelo de analytics, inteligência artificial e outras tecnologias disruptivas. Mas ela resolve os problemas reais, do dia a dia. E quando conseguimos elucidar esse tema, o cliente percebe que essa é uma questão-chave. A clareza da proposta de valor define o sucesso de qualquer empresa, mas conta ainda mais em uma startup, que, diferentemente de uma companhia tradicional, com 40 anos de mercado, precisa se provar.

E aí nós voltamos para o início da conversa – para o valor da transparência e da confiança. O sucesso nos negócios acontece quando também há sucesso nas relações humanas. Quando temos em quem confiar e temos quem confie em nós. Nada mais franco e simples do que isso, não acha?

 

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