Internacionalizar para ressignificar a integração de sistemas no mundo todo
31 de agosto de 2021
Enquanto consolida sua operação no ecossistema de negócios dos Estados Unidos, a Digibee mira a próxima fase de expansão internacional 

Rodrigo Bernardinelli

Nossa operação nos Estados Unidos está completando um ano e meio, depois de ter passado por todo tipo de desafio decorrente, principalmente, da pandemia de coronavírus. O saldo tem sido mais que positivo: aos poucos, estamos conquistando clientes norte-americanos e contratando um time forte para construir as bases para replicar a máquina de vendas que criamos no Brasil.

O sucesso em casa impulsiona essa tarefa. No Brasil, nossa plataforma ajudou um dos maiores varejistas do país a implementar o PIX em suas operações em apenas cinco dias, enquanto algumas empresas demoram até cinco meses para estarem aptas a oferecer esse novo meio de pagamento. Já estamos estabelecidos, também, no mercado financeiro, contribuindo com grandes bancos que estão integrando seus sistemas e se adequando ao open banking.

Com mais de 170 clientes no Brasil e uma operação lucrativa que ganha cada vez mais espaço no mercado, estabelecemos o nome da Digibee como referência em três âmbitos: dados, tecnologia e integração.

Mas é impossível financiar uma operação nos Estados Unidos em reais. Nosso câmbio desfavorável desencoraja investimentos para uma expansão global, que é nossa maior intenção com o estabelecimento do mercado norte-americano. Por isso, aportes como o que recebemos este mês da Brasil Venture Debt são tão importantes. São essas estratégias de funding que nos permitem levar à frente o projeto de internacionalização.

Público mais aberto (e exigente)

No Brasil, nos Estados Unidos ou em qualquer lugar do mundo, a nossa oferta é sempre a mesma: a Digibee HIP, nossa plataforma de integração híbrida. O foco também é sempre igual: atuar com as grandes empresas e resolver seus problemas de integração e gestão de dados.

Conquistamos uma boa reputação no Brasil, mas ainda somos pouco conhecidos aqui nos Estados Unidos. Digo “aqui” porque, hoje, é onde atuo, direcionando nossa operação e estruturando pontes. 

Estamos num momento de construir reputação e credibilidade, trabalhando para alavancar os relacionamentos internacionais com grandes consultorias, provedores de nuvem e clientes que, inclusive, a gente conquistou ainda no Brasil.

O processo de aceitação no mercado passa por vantagens e desvantagens. O norte-americano é muito mais aberto que o brasileiro na hora de testar uma nova tecnologia e empreender em cima dela. Ao mesmo tempo, é mais criterioso e exige especialização máxima da solução.

Isso porque o norte-americano é mais focado no problema que está resolvendo naquele momento; se temos uma solução comprovada com outros clientes, ele topa o desafio. É uma postura diferente em relação aos brasileiros, que são mais conservadores e buscam uma solução que vai atender todo o processo.

Adaptação a um novo idioma

Essas diferenças exigem que a gente contrate executivos para efetivamente fazer a promoção da Digibee nos Estados Unidos. Eles não falam inglês; é o “americanês”, o idioma do mercado daqui. Vem dando certo até agora: já conquistamos 16 clientes e fizemos parcerias interessantes com grandes provedores de cloud que estão nos ajudando nessa tarefa.

A dificuldade do processo de contratação por aqui, inclusive, não é muito diferente em relação ao Brasil: o grande desafio é acertar, de primeira, no recrutamento de executivos que tenham bons relacionamentos. Mas faz parte. Com esse passo dado, as coisas vão ficando mais fáceis.

E há, obviamente, todo o cuidado necessário na hora de contratar o time técnico, de desenvolvedores, cuja oferta de mão de obra é um problema em qualquer lugar do mundo. Os Estados Unidos vivem uma situação confortável no que diz respeito ao emprego, sobretudo daqueles que têm mais qualificações específicas. Por isso, a gente precisa disputar os talentos.

Há outras adaptações necessárias, como, por exemplo, na lida com o trabalho presencial versus home office. Nos Estados Unidos, o escritório já está voltando com força total, graças ao avanço da vacinação contra a Covid-19. Por mais que o trabalho remoto tenha ganhado muita força durante a pandemia – isso não volta atrás, não tem jeito –, aposto em um modelo híbrido, que retome alguns encontros, viagens e situações onde todos estejam juntos. 

Independentemente do trabalho remoto ou presencial, o que vai pesar a nosso favor e contribuir para essa consolidação é estabelecer um bom ambiente para trabalhar, uma visão que motive as pessoas, uma marca atraente e uma remuneração correta. Isso, obviamente, tem que valer para os Estados Unidos, Brasil e qualquer lugar do mundo.

Decolando a partir da América

Ao solidificar nossa operação norte-americana, estamos no momento de dar outro passo: a realização de mais uma rodada de investimentos para fortalecer o nosso plano de expansão internacional. 

Para além dos Estados Unidos, há outros caminhos em nosso radar. A abertura de capital, por exemplo, é uma das principais saídas para uma empresa como a nossa. O futuro vai nos dizer o que é mais adequado, um IPO, uma aquisição estratégica ou outro tipo de solução. O objetivo é um só: nós queremos longevidade e provar para os investidores que estamos aqui para ficar.

A ideia da Digibee é continuar resolvendo os problemas dos nossos clientes, no Brasil e em qualquer lugar do mundo. Se oferecemos uma solução única, por que não ir para fora e batalhar por mercados mais dinâmicos e competitivos? 

É isso o que estamos fazendo aqui. É hora de ganhar a América e fazer da nossa operação nos Estados Unidos uma plataforma para conquistarmos o resto do mundo.

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