O Bank as a Service é uma – dentre muitas – oportunidade que o open banking traz
10 de agosto de 2021
Segunda fase de implementação, que será concluída em julho, acelera o potencial de crescimento das instituições

por Vitor Sousa*

A segunda fase de implementação do open banking, que entra em vigor em julho de 2021, chega em um momento no qual os clientes estão entendendo um pouco melhor do que se trata essa inovação. Grandes, médios e pequenos bancos já se movimentam para sair na frente e divulgar suas ofertas.

Depois de muito tempo tentando explicar o que é o open banking e como ele funciona, já podemos avançar em dois aspectos: a aplicação prática do open banking, que está em sua fase inicial, e a gama de oportunidades abertas com o novo formato. É desse segundo tema que vou tratar hoje.

As instituições financeiras passaram décadas apostando no “fechamento” dos seus sistemas. O open banking inverte essa lógica e devolve a “propriedade” dos dados para seu real dono: os clientes do sistema financeiro. Essa imposição legal está exigindo que elas abram seus dados para os concorrentes. É uma nova era, a era do “open everthing”, totalmente adequada à forma que vivemos hoje, em que os usuários passam a ser senhores de suas escolhas. E quer saber? Isso é muito bom. Vai aumentar drasticamente a competição e, como consequência, a qualidade dos serviços e o próprio desenvolvimento do país.  

Estamos entrando na era do SaaS, o Software as a Service, e entendemos que esses serviços são bons, baratos e, principalmente, seguros. Com o Bank as a Service, ou BaaS, as instituições também poderão se firmar como uma fábrica de produtos e oferecer, de maneira simples, uma vitrine de soluções financeiras a seus clientes. E isso vale não só para os bancos, mas também para fintechs e instituições de menor porte, ou a qualquer empresa que tenha uma carteira de clientes relevantes. 

Com o BaaS, elas poderão atingir públicos que não estavam em seu radar. É um mar de possibilidades. A partir do momento em que os dados estiverem liberados, as instituições precisam destravar os obstáculos e aproveitar as novas oportunidades de negócio, sempre olhando para a melhor experiência do usuário.

A união potencializa as oportunidades

O open banking também estimula que instituições se juntem para oferecer pacotes competitivos de produtos – um tema que debatemos bastante na 3ª Happy Hour DigibeeR – e que consigam, de certa forma, se complementar. 

Fico imaginando como seriam essas parcerias entre as instituições (que, inclusive, não precisam ficar restritas ao setor). Um banco ou fintech pode se juntar a uma rede varejista ou a uma farmácia, por exemplo, para fornecer produtos e serviços em locais remotos do Brasil que a instituição financeira ainda não alcança.

O open banking também é uma oportunidade para a criação de modelos mais simples, acessíveis à população não familiarizada ao sistema bancário, ajudando as entidades a expandirem ainda mais sua atuação. Tratamos esse tema em detalhe no “Guia Prático de Open Banking para Pequenos e Médios“, publicado logo após a 3ª Happy Hour DigibeeR.

Tecnologia é difícil, mas superamos os principais obstáculos

O open banking envolve, claro, uma complexidade tecnológica. Vamos pensar no processo de  troca de dados entre as instituições, consentida pelos usuários. Além das integrações em si, é necessário garantias do modelo de que tanto o acesso como a utilização dos dados sigam regras estritas de segurança. Essas garantias passam por um complexo modelo de autenticação, gestão dos consentimentos e, por fim, gestão dos próprios dados trocados. 

Superado o desafio da autenticidade e segurança dos dados, há a questão de acesso aos sistemas das instituições, como, por exemplo, conta-corrente, cartão de crédito, seguro e meios de pagamento. Eles são, em grande parte, marcados por tecnologias e protocolos antigos. 

As respostas a esses problemas devem partir de soluções mais simples que os modelos tradicionais de “desenvolvimento e exposição via API”. Novas soluções, como as plataformas de integração híbridas (HIPs, na sigla em inglês), permitem agilizar o desenvolvimento e criar operações automatizadas, diminuindo drasticamente a complexidade tecnológica. 

Para as instituições se adequarem aos novos cenários regulatórios e de hipercompetição que virão, é fundamental garantir um modelo de integração simples e rápida, sem abrir mão da segurança. Para isso, é necessário criar uma camada estrutural de integração que dê escalabilidade, resiliência e segurança para movimentar os dados.

As  HIPs criam essa camada estrutural, resiliente e segura. Ao mesmo tempo, elas  dão fôlego às instituições com muitos sistemas legados, sem a necessidade de grandes desenvolvimentos ou mudanças drásticas em suas camadas de integração, uma vez que as HIPs aproveitam as interfaces existentes. 

Com as barreiras tecnológicas sob controle, as instituições financeiras poderão aproveitar o amplo rol de oportunidades do open banking e open finance e focar seus recursos, financeiros e humanos, no que realmente importa: atender bem o cliente, oferecer ótimos produtos e serviços, garantir o compliance com a lei e gerar valor para a marca. 

*Vitor Sousa é COO e cofundador da Digibee

Leia também

Veja os insights dos participantes na 3ª Happy Hoour DigibeeR, que falou sobre open banking

Open banking vai revolucionar a vida dos bancos, mas eles precisarão de ajuda

Legado não é barreira: como levar a transformação digital ao varejo

APICON 2021: ‘Integração moderna significa levar as novas ferramentas e plataformas a sério”

Share This