Open banking: olhos abertos para aproveitar um mundo de novos negócios

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essense, 08/09/2020

Superar os desafios tecnológicos para fazer parte dessa revolução não significa que os bancos devam fechar os olhos para o universo de oportunidades que o open banking proporcionará

Digibee

O setor financeiro vive a iminência de uma grande revolução: o open banking. Há quase dois anos, o tema domina as conversas de Carlos Augusto de Oliveira, diretor e coordenador dos fóruns de tecnologia da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), com os 90 membros da entidade. 

Carlos Augusto é peça fundamental nos esforços do setor financeiro por fazer da mudança uma abertura para novas oportunidades de negócios e não uma ameaça à sobrevivência das instituições. “O sistema financeiro foi estruturado [ao longo de séculos] para proteger os dados bancários e criou fortalezas internas para isso. O open banking muda essa premissa e estabelece que os dados não são mais propriedade do banco. É uma mudança cultural violenta.”

As instituições não têm escolha. Em pouco mais de um ano, o cliente será dono de suas próprias informações e poderá autorizar o compartilhamento delas entre as instituições. O Banco Central definiu que o processo começa a ser implementado em 30 de novembro de 2020 e será concluído em quatro etapas, até outubro de 2021.

As décadas de sigilo sobre dados e serviços bancários ficarão para trás no Brasil.

Pela função estratégica que ocupa e o conhecimento que tem, Carlos Augusto se tornou o interlocutor da ABBC com o Banco Central. Ele lembra que as primeiras conversas foram bem “acaloradas”. Havia muito receio e incerteza sobre os impactos da medida, inclusive no que se refere aos riscos de segurança que esse novo modelo poderia trazer para o setor.

Menos resistências: mais oportunidades

Depois do susto inicial, os bancos perceberam que a mudança cultural e de mentalidade é inevitável e esses debates começaram a fluir melhor. Mas o desafio de se transformar para receber o open banking continua imenso. “Os bancos terão que inovar e buscar uma estratégia mais centrada no cliente. Ao mesmo tempo, vão ganhar essa ferramenta poderosa, que facilita a integração com novas plataformas. Vai ficar mais simples e barato para as instituições que fizerem a lição de casa”, resume.

É justamente a integração com outras plataformas que pode representar o maior obstáculo para que os bancos façam a “lição de casa” e aproveitem os benefícios do open banking. Afinal, são instituições tradicionais que têm sistemas legados que remontam à década de 1970, com estruturas monolíticas que não se conectam facilmente a outras plataformas (qualquer correlação com mainframes não é mera coincidência). 

Com uma sólida carreira como líder de tecnologia no setor bancário, Vitor Sousa, hoje COO da Digibee, conhece bem a estrutura das instituições financeiras. Segundo ele, os dados core das instituições — ponto principal de interesse do open banking — estão armazenados nesse ambiente legado. 

“Esses sistemas geralmente têm tecnologias defasadas em relação às necessidades e aos padrões de segurança, performance e escalabilidade que são exigidos para esse mundo conectado de hoje”, afirma o COO. 

Um grande impasse que envolve o compartilhamento de informações diz respeito à dificuldade de conexão com as APIs dos bancos, inclusive para o desenvolvedor que fará a integração. “Não está claro como todo esse consumo de API se torna um negócio. É preciso simplificar essa conexão. Podemos fazer desse limão uma limonada. O trabalho do banco agora é empoderar o cliente com o seu próprio dado e fazer disso uma linha de negócio“, acrescenta Vitor. 

Essa oportunidade de novos negócios, porém, pode escapar à atenção dos gestores, que têm, à sua frente, um dilema complexo para resolver: rever todo o seu sistema legado e encontrar uma saída interna para viabilizar essas integrações ou buscar plataformas alternativas que trabalhem com foco em open banking. “Vejo essa segunda opção como tendência, o mercado caminha nesse sentido. Com as plataformas que se conectam mais facilmente, os bancos viabilizam e aceleram essa integração sem precisar de um alto investimento, o que é essencial, levando em conta o cronograma apertado e os orçamentos limitados de algumas instituições”, aponta o diretor da ABBC.

API ou HIP? A sopa que vai além das letrinhas

Além de tirar dos bancos o trabalho de construção dessa ferramenta, as plataformas de integração, também conhecidas com o Hybrid Integration Platform (HIP), representam um benefício em termos de segurança, por já contar com uma camada que protege a instituição de riscos envolvendo o parceiro que está se conectando do outro lado. Tal característica torna a plataforma de integração um benefício não só para as grandes instituições, mas também para os pequenos parceiros, que não possuem as mesmas capacidades técnicas dos bancos tradicionais.

“A HIP cria uma camada forte de segurança para resguardar o outro lado e garantir que ele tenha acesso aos dados compartilhados respeitando todos os requisitos necessários. Ao mesmo tempo, também dá fôlego ao legado, para que possa expor o dado core e permitir a troca de informações entre as instituições”, diz.

Dentro desse universo de alternativas, há diversas oportunidades. Vitor sugere, por exemplo, a oferta, aos bancos, de um pacote que permita substituir o portal do desenvolvedor, onde o open banking é entregue hoje, por um marketplace de integrações que já resolve casos de uso, como crédito estudantil para uma rede de ensino, solução que, na Digibee, tem sido chamada de cápsula.

“O banco vai poder entregar, em seu portal, não apenas a API, que gera atritos; ele deixa disponível a solução pronta para uso, sem que o parceiro tenha que se preocupar com o desafio de integração, de modelagem de negócio e de segurança. A tendência é que esse espaço facilite a geração de negócios de maneira mais rápida, tanto para clientes como parceiros de negócio da instituição financeira”, explica o COO da Digibee.

Ao ganhar tempo e diminuir os custos, os bancos terão mais condições de aproveitar as vantagens do open banking, ampliando o seu portfólio e oferecendo novos produtos e serviços. “Haverá uma evolução em termos de inovação e simplificação dos negócios, e as instituições estão se preparando para aproveitar essa mudança cultural”, conclui o diretor da ABBC.

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