Para uma TI complexa, uma abordagem simples e direta
julho 24, 2020
Apesar de legado complexo, é possível simplificar a TI com o uso de uma tecnologia ágil e direta, que fornece protagonismo ao setor.
Ao trazer uma arquitetura que isole essa complexidade, tem-se uma plataforma tão fácil de operar quanto um Google ou uma Netflix.

Anos de evolução tecnológica, sem a devida preocupação com abordagens simplificadas, deixaram um legado de sistemas complexos. Mas, acredite, é possível simplificar a TI com o auxílio de ferramentas ágeis e modernas.

Rodrigo Bernardinelli

Durante toda a minha carreira, sempre ouvi que a TI tem de estar alinhada ao propósito do negócio. Sua função é ser um habilitador de processos de geração de receita ou de entrega de produto. A TI, contudo, sempre foi criticada por não conseguir atender às expectativas da área de negócio com relação a prazos, funcionalidade, performance ou segurança.

O que as áreas de TI criaram, ao longo desses anos, é colossal, complexo e a área de negócios costuma ver apenas a ponta do iceberg. A história é muito conhecida: a cada nova demanda, a empresa pede à TI um novo sistema; as tecnologias vão sendo implementadas e, aos poucos, cria-se um imenso legado técnico, que demanda profissionais especializados para cuidar das diferentes ferramentas desenvolvidas.

O que acontece depois? Com a evolução extremamente rápida da tecnologia, a empresa não consegue acompanhar todas as atualizações de sistemas e ainda pode ser atingida por crises financeiras, que estimulam a redução no orçamento de tecnologia, muitas vezes, a níveis até irresponsáveis. Resultado: as empresas estão presas a tecnologias antigas, que possuem uma sustentação complexa e dependem de profissionais especializados e desatualizados.

Isso tudo vai contra a velocidade que os negócios digitais demandam. Os novos sistemas em cloud, IoT, machine learning e inteligência artificial têm capacidades processionais que eram inimagináveis quando muitos dos sistemas antigos, e ainda em atividade, foram criados e é preciso encontrar maneiras eficientes e simples de integrá-los.

Percebe o tamanho do “mato” que tem de ser cortado antes de estabelecer o caminho de uma tecnologia simples, rápida e eficiente? Mas existem maneiras de o CIO “cortar esse mato” e, a partir daí, começar a construção de uma nova estrada. Vamos por partes…Como simplificar o complexo

O negócio não pode parar. Mesmo que o legado seja complexo e ultrapassado, é preciso encontrar um caminho de transição em que “o antigo” mantenha o negócio funcionando, enquanto, com soluções mais modernas e sem a necessidade de profissionais altamente especializados, uma nova arquitetura, simples e atualizada, seja criada sobre os sistemas legados.

Não dá para ser ágil trabalhando com tecnologias obsoletas que não suportam os novos modelos de desenvolvimento e operação. As empresas tradicionais precisam buscar processos mais modernos para competir em pé de igualdade com gigantes digitais como Amazon, Google e Netflix, que, por basearem-se no tripé “arquitetura moderna”, “aplicações e processos ágeis” e “pessoas atualizadas”, criaram um ambiente de tecnologia que responde muito rapidamente às demandas do mercado.

Como se pode notar, os problemas são complexos e o sistemas também, mas as abordagens podem e devem ser simples e é assim que se faz a diferença nesse universo. Para resolver a equação que simplifica o complexo, antes, é preciso isolar as dificuldades. Usemos o exemplo da integração de dados para ilustrar…

O exemplo da integração de dados

Por muitos anos, a integração demandou diferentes tecnologias, protocolos e peças, o que virou um problema super complexo. Há uma dependência de profissionais altamente especializados e um processo muito extenso. Para conectar dois sistemas, a empresa necessita de uma miríade de ferramentas, como barramentos de serviços, gateways de APIs e ferramentas de execução, monitoração e troubleshooting, entre outras.

Cada engrenagem dessa exige a criação de um processo para que os especialistas trabalhem de maneira coordenada: analistas para olhar os dados que serão movimentados, profissionais de rede para criar as conexões necessárias, profissionais de segurança, um desenvolvedor para criar os códigos altamente especializados e garantir que a execução seja perfeita e por aí vai. É um processo longo e complexo, que vai muito além de pegar um dado aqui e levar ali.

Lembra que falei sobre isolar as dificuldades? Aqui, entra esse trabalho. Primeiro, ganha-se tempo automatizando boa parte do processo ou todo o processo ao substituí-lo por uma única plataforma, que permite desenhar, executar e operar uma integração sem mexer nos sistemas de origem e destino. Mas há outras opções também. Vemos uma profusão de ferramentas usando modelos no-code ou low-code que simplificam o desenvolvimento das aplicações. Há, ainda, a cloud, que tira a complexidade dos datacenters e proporciona um modelo em que é possível consumir apenas a capacidade computacional necessária.

Uma TI ágil e protagonista

Ao trazer uma arquitetura que isole essa complexidade, tem-se uma plataforma tão fácil de operar quanto um Google ou uma Netflix. A ideia é realmente levar, para a TI, as facilidades a que nos habituamos no dia a dia, de modo que possam simplificar, conferir agilidade e eficiência à operação dos negócios das empresas.

Estou convencido de que este é o caminho para levar a relação entre a área de negócios e a de TI a outro patamar, reforçando a ideia de que a tecnologia é habilitadora e não um obstáculo. Mais do que em qualquer outro momento, a TI, hoje, tem todas as condições de “cortar o mato” dos sistemas complexos e assumir função protagonista também para a área de negócios.

Share This