Qual é o papel do low code em uma arquitetura moderna e flexível? Veja as respostas de Peter Kreslins, CTO da Digibee, sobre o tema
9 de novembro de 2021
Digibee  A onda da transformação digital estabeleceu players que trouxeram novos padrões de experiência aos clientes. As empresas tradicionais, de repente, precisaram correr atrás e buscar o mesmo resultado dessas novas gigantes, nativas digitais, que já foram criadas com processos e ferramentas mais ágeis e flexíveis. Foi nessa corrente que apareceram as ferramentas low code, […]
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 A onda da transformação digital estabeleceu players que trouxeram novos padrões de experiência aos clientes. As empresas tradicionais, de repente, precisaram correr atrás e buscar o mesmo resultado dessas novas gigantes, nativas digitais, que já foram criadas com processos e ferramentas mais ágeis e flexíveis.

Foi nessa corrente que apareceram as ferramentas low code, que utilizam modelos e técnicas mais simples para o usuário e minimizam a codificação tradicional, prometendo mais rapidez e melhor custo-benefício.

Mas a utilização dessas ferramentas envolve muitas dúvidas, como os benefícios – e possíveis danos – proporcionados às empresas e a suposta “ameaça” que elas poderiam representar para o desenvolvedor.

Entenda o que é e quando usar low code em cinco respostas de Peter Kreslins, CTO da Digibee.

01 Como surgiu a demanda por ferramentas low code?

Sempre houve uma tentativa de acelerar os processos e torná-los menos burocráticos. No passado, as ferramentas CASE (Computer-Aided Software Engineering) nasceram dessa necessidade. A área de negócios tinha uma demanda simples – que um formulário, por exemplo, pedisse a assinatura do usuário final no momento em que ele fosse movido de um lugar para o outro. Será que a tecnologia não conseguiria construir essa solução sem a necessidade do desenvolvedor? Foi uma tentativa, mas houve uma grande frustração, porque essas ferramentas não deram certo. O trabalho se mostrou muito mais complexo. 

Mas fomos avançando. Em um determinado momento, construímos soluções para apoiar os processos de negócio – as famosas ferramentas BPM (Business Process Management) –, que já traziam um pouco de low code. Elas permitiam que o usuário desenhasse os fluxos, mas havia toda a implementação da tecnologia por trás.

Com a digitalização, foram aparecendo novos players, como Netflix e Airbnb, que entregam ao usuário uma experiência diferenciada. As empresas tradicionais perceberam a necessidade de oferecer o mesmo tipo de experiência digital – de repente, todos quiseram integrar e aprimorar a jornada de uso de suas plataformas.

Assistimos, então, a uma demanda altíssima do mercado, justamente por causa desses produtos inovadores que estabeleceram novos padrões. A TI das empresas não tinha como acompanhar esse movimento acelerado. 

E é neste momento que estamos agora, de ferramentas low code aumentando muito a produtividade para que essa demanda reprimida possa ser endereçada.  

02 As ferramentas low code estão tirando a complexidade da TI?

Essa é uma visão equivocada. Em TI, a complexidade tem ciclos e se transforma (por isso mesmo, ela é perene). A cada nova ideia implementada, resolvemos algumas questões, mas criamos novas. 

Exemplo disso são os microsserviços. Antes, havia um sistema único, um grande monolítico, e tudo ficava concentrado nesse sistema. Hoje, temos peças individuais, flexíveis, que talvez sejam menos complexas que as soluções anteriores. Os sistemas de cadastro de clientes, por exemplo: por serem menores, podem ser alterados de forma mais frequente e mais simples.

Nós temos muito mais flexibilidade, hoje, do que tínhamos no passado.  Mas a complexidade continua presente: ela está na comunicação entre essas pequenas peças (os microsserviços), que muitas vezes são de empresas diferentes. 

A complexidade não vai diminuir, pelo contrário. A tendência é que ela aumente com novas plataformas de pagamento e agregadores de serviços digitais.

03 As ferramentas low code causarão a perda de espaço do desenvolvedor?

De jeito nenhum. O low code não chega para substituir os desenvolvedores. Ele chega para acelerar. O  low code serve como um apoio, um acelerador que permite ao desenvolvedor focar atividades mais estratégicas. 

As empresas são cada vez mais sofisticadas tecnologicamente e a TI nunca deixará de ter o seu papel. Eu acredito em – e apoio – um low code que ajuda a TI. 

Apesar de alguns terem essa impressão de substituição, quando utilizado de maneira correta, o low code irá, na verdade, acelerar o desenvolvedor. Ele cumprirá tarefas mais importantes: desenvolver um novo app, focar em um algoritmo relevante, desenvolver uma nova ferramenta etc. O resto, que pode ser automatizado de forma inteligente, pode ficar nas mãos de ferramentas que façam uso do low code.

Em resumo: o mundo, mais do que nunca, precisa dos desenvolvedores, e para realmente tê-los nos projetos, precisamos destravar o seu backlog para que possam trazer inovação.

04 O low code é capaz de resolver todos os problemas das empresas?

Não. Ele resolve alguns problemas, mas tem coisas que ele não consegue fazer, principalmente quando se tratam de sistemas de diferenciação. Os aplicativos, por exemplo, não podem ser construídos somente com low code, já que são ferramentas de diferenciação. Já a integração pode.

Uma ferramenta eficiente pode usar o low code. Mas, sozinha, a técnica não soluciona todos os problemas. Na Digibee, o low code é tratado como um suporte, um facilitador na construção de uma arquitetura moderna e flexível.

05 Qual é o principal ganho que as tecnologias low code representam para as empresas?

Um dos principais ganhos é o time to market. Se a empresa precisa lançar urgentemente uma análise baseada num conjunto de dados, ela pode acelerar o processo utilizando um algoritmo que já está fabricado. Precisa lançar um app? É só utilizar uma solução e soltar no mercado.

No caso da integração, a empresa que precisa conectar dois sistemas, com segurança no fluxo de dados, pode utilizar padrões já pré-fabricados em uma ferramenta específica, em vez de gastar horas de um desenvolvedor para isso. 

No nosso caso, temos uma plataforma flexível que norteia o cliente e já dá os blocos de construção prontos para que ele implemente essa integração com muito mais rapidez e segurança. Assim, o cliente pode se dedicar ao que realmente importa no projeto e deixar a parte de integração com os especialistas nesse trabalho. 

Independentemente da abordagem, o mais importante é que a ferramenta seja flexível e não retire o poder de decisão da empresa. Ela precisa abstrair a complexidade que está por trás dos códigos, mas não pode engessar essa decisão a uma ou outra opção de formato. Nós, quando desenvolvemos nossa plataforma, incluímos todas as opções de integração que, como especialistas do mercado, entendemos que são suficientes para proporcionar uma arquitetura da integração moderna que dê flexibilidade e, assim, destrave a inovação. 

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