Quando errar vale a pena

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essense, 04/11/2020

Errar de propósito é um contrasenso, mas enxergar apenas o lado negativo do erro também é. A capacidade de aprender com os erros é um valioso instrumento de transformação e crescimento para qualquer pessoa e empresa

 

Rodrigo Bernardinelli

Há alguns anos, Vitor Sousa, Peter Kreslins e eu, sócios-fundadores da Digibee, tivemos uma reunião importantíssima com o Flávio Pripas, que era head do Cubo Itaú. Nós apresentamos o nosso produto, toda a nossa filosofia e ele achou fantástico, abrindo as portas do Cubo para abrigar a nossa sede.

Foi muito legal saber que estávamos acertando a mão e rumando para um caminho de crescimento… Mas, antes disso, não tinha sido bem assim.

Corta a cena para o ano anterior, com as mesmas pessoas envolvidas. Chegamos para uma reunião com o Flávio Pripas e falamos um pouco sobre tudo que estávamos trabalhando no caminho inicial da Digibee: tínhamos uma plataforma de e-commerce, um aplicativo móvel e a plataforma que integrava todos os sistemas.

A resposta dele foi: “Gente, não entendi nada do que vocês fazem. Vocês estão fazendo coisas demais. Decidam qual é o diferencial de vocês e coloquem o foco nisso.”

Nós saímos bravos da reunião. Mas seguimos a sugestão dele, o que mudaria a história da Digibee. As coisas só começaram a florescer quando a gente se concentrou 100% na nossa plataforma de integração, em solucionar as questões de conexão entre os sistemas dos nossos clientes.

A primeira coisa que eu aprendi nessa história foi que a arrogância – achar que tudo que você está fazendo está certo – atrapalha demais a trajetória de qualquer um. E o outro ponto que entendi com mais clareza foi que os erros nos ensinam muita coisa; claro, desde que a gente decida aprender com eles.

Essa questão da falta de foco não foi algo trivial. Isso pegou a gente de verdade, porque Peter, Vitor e eu somos muito ativos e, por vezes, abraçamos o mundo. Exemplo: em determinado momento, quando ainda estávamos focados na plataforma do e-commerce, nós investimos numa fábrica de cervejas, que parecia um negócio muito legal. Não deu certo. O insucesso, nesse caso, foi o melhor que poderia nos ter acontecido, porque aquele projeto estava desviando a gente daquilo que seria o nosso core: facilitar a integração.

Hoje, a Digibee tem, sim, a capacidade de ir além a partir de projetos que criamos para determinados clientes, mas não caímos nessa armadilha e continuamos focados somente no nosso produto. A falta de foco é um grande exemplo de erro do passado que a gente não comete mais. Mas só foi compreendido porque observamos de forma crítica e percebemos que não era um caminho correto.

 

A permissão para o erro

Voltando a falar do início da Digibee, houve outro ponto que Vitor, Peter e eu tivemos de aceitar rapidamente: a necessidade de aprender sobre o universo do SaaS, completamente diferente do que havíamos visto em nossas experiências anteriores nas grandes empresas.

A geração anterior da tecnologia viveu o mundo das vendas de licença de software. Empresas gigantes pareciam inabaláveis até elas serem completamente sacudidas pelo advento da cloud e de novos players como Amazon e Google. Muitas se deixaram enganar pela situação cômoda que viviam até então.

Como novos empreendedores, tomamos muito cuidado com essa postura. Eu tive que ler livros e entender como funcionava a metodologia SaaS para conseguir aplicá-la na Digibee. Hoje, seguimos o mesmo caminho no RH, entendendo as técnicas e métodos modernos que as empresas inovadoras utilizam. Muito do que se criou no passado não serve mais para o RH de hoje, mas há lições do passado que ainda valem: minhas experiências profissionais me ajudam, por exemplo, a compreender como deve ser uma área eficiente de RH.

Enfim, é fundamental, sempre que possível, unir a experiência do passado com o olhar para o futuro. A minha experiência recente, por exemplo, mostra que o medo de errar — muito comum no mundo corporativo — mais atrapalha do que ajuda. Quando trabalhei para grandes organizações, era comum eu esconder eventuais erros para “não demonstrar fraqueza”. Hoje, sinto que posso ser franco com meus sócios, investidores, colaboradores e clientes, sem medo de mostrar alguma vulnerabilidade ou uma eventual falha.

Isso é libertador e bem mais eficiente.

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