4a edição da Happy Hour DigibeeR discute a tecnologia como aliada de pacientes e médicos na área da saúde
25 de março de 2021
Jacson Fressatto, Antonio Vanderlei Leone Soares, Carlos Nestor Passos, e Marcelo Souccar, discutem sobre tecnologia na saúde.

Especialistas reunidos pela Digibee ressaltam a importância da inovação e da tecnologia na experiência do atendimento

Digibee

Afinal de contas, o que significa “inovar” em uma área tão básica, tão ancestral e fundamental quanto a saúde humana? “Inovação é resolver a jornada do paciente”, resumiu Jacson Fressatto fundador da Robô Laura, a primeira plataforma de inteligência artificial gerenciadora de risco no mundo. Fressato foi um dos participantes da quarta edição da “Happy Hour DigibeeR”, encontro phygital transmitido em 25 de fevereiro pelo canal da Digibee no Youtube, que desta vez explorou o tema “A tecnologia nos ambientes hospitalares e seus benefícios para o ecossistema e paciente”.

Essa jornada envolve diferentes inteligências e especializações em constante evolução: médicos, enfermeiros e especialistas de diversas áreas. Na DigibeeR, participaram, além de Fressatto, Antonio Vanderlei Soares, CIO da Hapvida; Carlos Nestor Passos, consultor e ex-líder de TI da Santa Casa da Bahia; e Marcelo Souccar, COO da Digibee nos Estados Unidos. As conversas foram mediadas pela jornalista Adriele Marchesini, cofundadora da agência essense, e ainda contou com participação de outros convidados, entre CIOs e líderes de TI, interagindo ao vivo no chat.

Assista à íntegra da primeira Happy Hour DigibeeR de 2021: A Tecnologia nos Ambientes Hospitalares e seus Benefícios para o Ecossistema e Paciente

“Quando o foco está na gestão do cuidado, a oportunidade de inovação é imensurável”, disse Fressatto. Ele citou como um contraexemplo o uso de prontuários eletrônicos – frequentemente vistos como uma grande inovação do setor, mas que, segundo ele, consomem um enorme e precioso do tempo do médico: “Isso é desesperador para alguém que queria estar focado nos pacientes, mas precisa preencher um formulário”. Estima-se que apenas 23% dos hospitais do mundo adotem a ferramenta atualmente. “Alguém consultou o médico para saber se ele pretende gastar seu tempo preenchendo prontuários eletrônicos? Se perguntássemos o que ele precisa, poderíamos pensar em um assistente virtual para cumprir esse tipo de função.”

Fressatto destacou que os atributos da Robô Laura são, fundamentalmente, reunir informações e monitorar o paciente para alertar sobre qualquer deterioração de seu estado clínico. Esses dados permitem melhorar a experiência do atendimento.

Um ponto comum nas falas de Fressatto, Soares e Passos foi a ideia que que o uso de tecnologia na saúde não significa, necessariamente, aumento de custo. O desafio é outro: o acesso ao conhecimento e à informação.

“O conhecimento está nos dados, e a grande revolução está no compartilhamento do conhecimento”, afirmou Fressatto. “E quando compartilhamos o conhecimento, melhoramos o atendimento assistencial, a jornada do paciente e geramos uma onda de boas práticas e processos. Nós retroalimentamos o mercado e isso se torna uma cadeia produtiva.”

A operadora de planos de saúde Hapvida concentra diversos serviços – como a assistência – em suas próprias instalações. Em um modelo verticalizado como o dela, o acesso à informação armazenada precisa ser rápido e descomplicado:

 “O princípio da nossa verticalização foi ter a informação e usá-la em prol da medicina”, disse Soares. “Não adianta ter as melhores máquinas e tecnologias se você não tem como usar a informação que você está adquirindo no dia-a-dia e levá-la aos que fazem a ciência de dados, que são os médicos.”

Inovando na prática

O desafio da Santa Casa da Bahia foi digitalizar um hospital centenário tão antigo quanto a própria cidade de Salvador. Nestor Passos comandou um projeto de quatro anos que levou a instituição filantrópica a se tornar uma referência em termos de inovação.

Três etapas marcaram o processo. Primeiro, a renovação na infraestrutura – que, apesar de consumir muitos recursos, não foi de difícil execução; em seguida, a adequação dos sistemas de informação, capitaneada pela implementação de um ERP; e finalmente, e a mudança no modelo de governança, etapa que Passos considerou a mais importante:

“Porque não mexemos só com tecnologia, mas com a motivação das pessoas”, disse, destacando que foram precisas mudanças na equipe para criar um ambiente mais ágil. “Foi um desafio manter a motivação das pessoas. Tivemos que abraçar os profissionais para fazer com que o dia a dia fosse mais harmônico.”

Segundo Passos, o processo de digitalização só teve sucesso por causa de uma premissa básica: o alinhamento do projeto aos objetivos estratégicos da instituição.

 “A união de esforços e interesses comuns, com apoio da diretoria, foi fundamental. É um exemplo para qualquer instituição, independentemente de seu porte e estrutura.”

O desafio da integração

Mas os desafios tecnológicos não pararam – mesmo com o ERP funcionando e a digitalização acontecendo. Um deles foi o processo de integração e interoperabilidade entre diferentes ferramentas e organizações.

 “O hospital tem muitos serviços de terceiros, cada um com seu sistema específico. Tivemos de criar uma camada de convergência baseada em tecnologia para fazer essa integração.”

Marcelo Souccar, COO da Digibee nos Estados Unidos, acredita que é urgente que as instituições entendam a integração como uma questão de “primeira classe” e não como um mero “subproduto” do projeto.

“Não há como inovar sem abrir espaço para a tecnologia”, disse. “E há muito espaço para a inovação”.

Souccar contribuiu com a Happy Hour com sua experiência na área de saúde e seu conhecimento sobre integração. E se alinhou aos outros participantes sobre a principal premissa para a evolução do atendimento na área: a melhora da jornada do paciente. E a interoperabilidade entre os sistemas é um dos grandes desafios para isso.

 “É preciso ser o dono da informação e garantir que ela flua, de forma segura, em direção aos responsáveis. Para isso, o primeiro passo é ter essa cadeia completamente integrada.”

Ele mencionou os obstáculos que Nestor Passos enfrentou na Santa Casa da Bahia, e ressaltou que as instituições precisam construir uma arquitetura que facilite essa conversa entre os diferentes protocolos.

 “É um trabalho interno, que vai além de simplesmente aguardar algum marco regulatório que force a adesão a alguma ferramenta determinada”, disse.

Ele destacou a importância de uma iniciativa conjunta envolvendo instituições de saúde, operadoras e outros agentes do setor para garantir a fluidez da informação entre todos os elos da cadeia para que médicos e enfermeiros tomem decisões mais assertivas.

“As instituições estão se preparando para esse momento. Há uma tendência de melhoria dessa experiência e do cuidado no atendimento. Assim, podemos adotar soluções inovadoras, como a Robô Laura”, disse Souccar. “Precisamos deixar o rio da informação fluir e democratizar os dados entre toda a cadeia de saúde.”

 

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