RNDS: Vinícius Christ e a integração que ajudou o Brasil a combater o coronavírus
24 de novembro de 2020
Trabalho de integração ao sistema RNDS contribuiu para a saúde pública do país, dando agilidade ao fluxo de informação em meia à pandemia.
Foram muitas calls com os laboratórios, órgãos do governo, Ministério da Saúde...  Tive que me aprofundar nos detalhes dos dados que seriam repassados.

Vinícius Christ, arquiteto de soluções da Digibee, revela como foi trabalhar em um projeto que conectou laboratórios de todo o país com a Rede Nacional de Dados em Saúde, contribuindo para a compreensão do cenário de contágio no Brasil.

Vinícius Christ*

Estávamos naquele período em que a pandemia do coronavírus começou a assustar o Brasil. Todo mundo indo para home office, isolamento social, protocolos de segurança e muita incerteza atingindo todos nós. Mas nunca imaginei, ao assistir ao Jornal Nacional divulgando o número de casos de covid-19 todas as noites, que eu teria algo a ver com isso.

Foi no mês de abril que iniciamos o trabalho com uma das maiores redes de laboratório do Brasil para integrá-la à Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS). Esse é um projeto que faz parte do Conecte SUS – programa do Ministério da Saúde para, basicamente, acelerar a transformação digital e o compartilhamento dos dados da saúde no País.

Os processos na RDNS tiveram que ser agilizados para resolver um problema urgente: agregar os resultados dos exames de covid-19 em laboratórios de todos os estados brasileiros, ajudando as autoridades e a população a compreender precisamente o cenário de contágio.

Com a plataforma híbrida de integração Digibee HIP, a Digibee poderia atuar diretamente nesse trabalho. E foi aí que começou a minha saga nessa história toda.

A primeira coisa que bateu em mim foi a importância do nosso papel. Não era um projeto qualquer; era uma integração de dados que afetaria todo o Brasil. Tinha que sair, custe o que custasse.

Dominando o padrão HL7 FHIR

Um grande e novo desafio técnico era o padrão HL7 FHIR, utilizado para troca de dados de sistemas de saúde. Como ele é universal, encontramos documentação e exemplos, então pode parecer tranquilo. Mas a realidade é outra: a estrutura pode ser da mais básica à mais avançada, e eu tinha apenas a referência do básico.

Tudo que é muito diferente assusta, então em alguns momentos eu pensei: “como será que eu conseguirei enviar essas informações para a RNDS, obedecendo a esse padrão?”. As maiores dificuldades eram entender e conectar os outros sistemas ao redor, além de  fazer a interlocução com as pessoas para conseguir as informações necessárias.

Como conectar A com B?

Foram muitas calls com os laboratórios, órgãos do governo, Ministério da Saúde…  Tive que me aprofundar nos detalhes dos dados que seriam repassados. O próprio Ministério da Saúde ainda estava testando muitas coisas. Lembro de umas conversas assim: “pessoal, essa é uma funcionalidade recente, então talvez nem tudo esteja na versão mais atualizada. Assim como vocês, estamos trabalhando loucamente!”

Para chegar à RNDS, o exame precisaria mostrar o médico responsável pelo laudo, o tipo do exame aplicado, o resultado, se era prova ou contraprova, entre outras informações. Todas essas conversas me ajudaram a entender como integrar o que era exigido pela RNDS com o que estava sendo entregue pelos laboratórios.

Muitas vezes, o laboratório mostrava, por exemplo, a “matrícula” do paciente – que, no Ministério da Saúde, era equivalente ao CNS (Cartão Nacional de Saúde). Para encaixar essas informações, só conversando com todo o mundo mesmo… e aí tínhamos que buscar todos esses contatos de pessoas que pudessem nos ajudar a entender.

Outro ponto foi convencer o cliente a ceder o seu certificado digital, que era necessário para autenticação na RNDS. Eles eram cadastrados em um cofre de senhas da Digibee e utilizados somente naquele momento de autenticação – hoje, por exemplo, eu nem consigo mais recuperar esse certificado. Foi uma questão de explicar para o cliente, com transparência, e no fim deu tudo certo.

A RNDS também tem um detalhe importante: você se conecta a sistemas que mudam de acordo com o Estado. Cada um deles tem uma porta de entrada e autenticação diferentes. Assim, você precisa gerenciar um por um, utilizando o token necessário para autenticação dentro do prazo de validade. E quando você tem um cliente com laboratórios espalhados por todo o País, é essencial que você seja ágil e dinâmico.

 

Leia também:

A prova de fogo: Leandro Adinolfi e o primeiro grande projeto da história da Digibee

 

Tudo pronto em três semanas

O maior desafio, que foi também o que mais engajou, foi fazer tudo isso com qualidade, num prazo curtíssimo, sem abrir mão de toda a segurança e resiliência fundamentais – afinal, estávamos tratando de informações médicas de milhares de pessoas de todo o Brasil, dados sensíveis no mais alto nível.

Antes mesmo de a RNDS estar completamente implementada, já estávamos aptos a rodar a integração. Quando começamos, identificamos alguns gaps que precisavam ser resolvidos pelo cliente – como exames parados no processo por problemas de atualização no cadastro do médico, por exemplo –, e em três semanas essa integração já estava rodando automaticamente.

Com toda a expertise coletada nesse primeiro mês, fizemos uma nova integração com outra grande rede de laboratórios, dessa vez em apenas dez dias. Conseguimos ganhar tempo nos concentrando apenas nos dados e informações que eram necessários, depois de todo o entendimento inicial.

Hoje, apenas monitoramos essas integrações, deixando a a Digibee HIP fazendo o trabalho de forma autossuficiente.

O time dos bastidores é essencial

O que mais ficou, para mim, é a certeza de que podemos aprender, sempre. O padrão HL7 FHIR pode até assustar num primeiro momento, mas é só questão de tempo para aprender.

De resto, fiquei realmente grato ao perceber que estava nos bastidores quando o William Bonner, ou o Ministério da Saúde, divulgavam informações sobre os casos de covid-19 no país. Você vê a coisa acontecendo e sabe que, se não fosse todo o time dos bastidores, simplesmente não teria acontecido.

Agora, se você falar para mim sobre integração com a RNDS, pode ficar tranquilo. Me manda, eu mato no peito e amanhã está pronto!

*Vinícius Christ é arquiteto da Digibee

** Este conteúdo faz parte da série Bastidores da Integração de Sistemas. Acompanhe os próximos!

 

Leia também:

Rodrigo Bernardinelli: Quando errar vale a pena

Share This