Sobre invenção e inventores no futuro pós-pandemia
junho 24, 2020
Com exigência de isolamento, pandemia exigiu a reinvenção dos negócios ao novo normal. Objetivo é garantir o futuro pós-Covid-19.
As empresas, agora mais horizontais e com um melhor fluxo de informações, começam, talvez sem perceber, a adotar o mundo phygital.

No isolamento social, percebemos que as relações humanas não podem ser substituídas, e que são esses vínculos que impulsionarão as empresas na retomada pós-Covid-19

Luiz Adolfo Gruppi Afonso (LAGA)

Os três meses de distanciamento e isolamento social evidenciaram nosso poder de adaptação, mas também a importância das relações humanas. Ao mesmo tempo em que muitos fixaram o escritório em casa e dedicaram-se mais do que nunca ao trabalho, sentimos falta de estar juntos, de interagir. Isso fica claro com a propagação de lives, webinars e outros eventos virtuais, incluindo o nosso #HappyHourDigibeer, em que os CIOs fizeram questão de participar com o envio de perguntas e comentários, ou só mandando um simples abraço para a gente.

Há resiliência, mas há também desgaste. Em meio a tantos cliques para entrada e saída de reuniões virtuais, faltam a brincadeira, o café, os almoços em companhia dos colegas… rituais que, de fato, unem as pessoas. Por mais evidente que seja o crescimento do home office – e muito positivo, também, para romper ideias estabelecidas na mente de tantos gestores que não acreditavam no modelo –, há um vazio difícil de ser preenchido pela tecnologia. Em algum momento, as empresas vão precisar de soluções para manter o contato presencial entre os colaboradores, nem que seja preservando uma distância mínima ideal e com todos os cuidados.

Quando pensamos no futuro pós-pandemia e nessa retomada das atividades presenciais, ainda que lenta e gradual, precisamos nos lembrar que o contato humano, com vínculos fortalecidos, ajuda a inovação a brotar. A própria área de tecnologia é fruto direto da criatividade humana, que muitas vezes emerge em momentos de crise.

Se há riscos e ameaças, há também caminho para oportunidades para se reinventar e repensar o modelo de negócio. Quem já investia em presença digital e soluções de omnichannel, por exemplo, saiu na frente na crise. Quem evitou a transformação e defendeu modelos mais tradicionais, por outro lado, enfrentou uma dificuldade maior de contornar as amarras que o confinamento impôs. Independentemente do estágio de maturidade digital das empresas, todas precisaram olhar para dentro, se desdobrar para acelerar a transformação digital e a inovação e colocar a criatividade dos colaboradores a serviço da sobrevivência do negócio.

A tradicional capacidade humana de criar, geralmente tolhida no dia-a-dia para que as pessoas sejam encaixadas em papéis e processos específicos, ou moldadas de acordo com o padrão vigente, está fluindo mais, porque o momento exige isso. A necessidade de buscar respostas rápidas e lidar com as incertezas incentivou as pessoas a trabalhar de forma mais colaborativa. Também forçou os executivos a reduzir as barreiras verticais e ouvir mais as equipes. Depois dessa quebra de barreiras, agora podemos fortalecer novos métodos, como a formação de squads, para acelerar.

As empresas, agora mais horizontais e com um melhor fluxo de informações, começam, talvez sem perceber, a adotar o mundo phygital. A transformação digital, esse assunto que não sai da nossa pauta, revelou-se, se ainda não estava claro, como um modelo humano de trabalho, de relacionamento. E a inovação, que tanto exaltamos, é resultado da nossa criatividade.

Alguma dúvida de que quem está conduzindo essa transformação não é a máquina, mas sim o seu inventor?

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